• Nudez

    Como a sexualidade e a nudez devem ser tratadas com clareza e naturalidade, se nós não a vemos com clareza e naturalidade? E quando existe essa tentativa, ela é podada? A intervenção artística que rolou no MAM é justamente um meio de fazer-nos ver uma pessoa nua sem a perversidade crescente do modelo social moderno. A apresentação é inspirada no trabalho Bichos, de Lygia Clark, e integrava a programação do 35º Panorama de Arte Brasileira.

    O que a população não conseguiu compreender é que a intervenção é, justamente, uma provocação que nos desafia a refletir sobre como nós mesmos vemos a nudez... E se tivermos malícia diante disso, vale a pena reavaliarmos nossos valores, não? O ato aconteceu na última semana de Setembro deste ano e fazia parte da exposição La Bête. Wagner Schwartz se apresentava completamente nu em uma das salas do museu, manipulando uma réplica de escultura. Em meio as coreografias, o público é convidado a interagir.

    A indignação foi tamanha, quando uma criança se integrou ao processo, que o Ministério Público do Estado de São Paulo instaurou um inquérito a fim de investigar uma denúncia feita (fora o alarde nas redes sociais). Que fique claro: devemos considerar fortemente que a criança não tem malícia. Nós é que temos. Você, que assiste/assistiu ao vídeo, tem. 

    Além disso, torna-se justificável a interação de uma criança (claro, com a supervisão da mãe, que estava na cena), já que, quanto mais cedo ensinarmos determinados valores, melhor é, em termos de absorção, de aprendizado. Todos sabemos que quanto mais velhos ficamos, mais difícil é a tentativa de se recondicionar. Daí, é preciso desconstruir culturas e dogmas. Enfim, a criança, ao menos, crescerá vendo a nudez de maneira mais natural que nós. É a arte cumprindo seu papel - ou pelo menos tentando, em um momento politicamente tão conturbado.
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