3 de novembro de 2016

Poder - Um Vício Cultural

Às vezes ainda fico triste com a falta de senso coletivo dos humanos. O quão estão fazendo mal à si próprios. Desde o pai que se intitula "chefe de família" e por isso não valoriza o trabalho da sua esposa... simplesmente por acreditar firmemente que sua posição "é mais importante". Tampouco enxerga a rebeldia do seu filho, que "tem tudo" e ainda reclama.

Esse é o microambiente. Acontece em quase todas as casas, com quase todas as famílias que conhecemos, como um vício cultural. No macroambiente, o pai é o governo... vertical, com tendências militaristas, que age como se estivesse acima dos outros cidadãos e por isso trata os trabalhadores de maneira inferior. O mais triste é que estes trabalhadores são as mães, nessa metáfora... os principais responsáveis pelo funcionamento da sociedade, da família como um todo. São maltratados, não recebem tudo o que tem por direito, até mesmo chantageados para que continuem lá. Eles, por sua vez, acabam obedecendo com medo de perder o pouco que têm. As mães (ou trabalhadores) sofrem esses e muitos outros abusos, inclusive morais. Bem, nesse cenário, sobrariam os filhos...  os manifestantes, que clamam por atenção. Eles não são vagabundos ou rebeldes; estão gritando porque algo está errado lá em cima. E se não forem ouvidos, a próxima geração crescerá doente. Levará os mesmos problemas adiante. Para sua próxima família (geração).

Meu sentimento hoje é tristeza sobre como o ser humano reproduz tudo isso, aceitando o vício cultural de que padrão hierárquico sempre colocará a ordem em tudo. A vida deve ser colaborativa, pois somos comunidade. Uma coisa só. Enquanto os seres humanos não perceberem que somos todos iguais e que cada um tem seu valor, único e inestimável, uma importância singular dentro do todo, sempre acharão que um possui mais direitos ou mais valor que o outro, seja pelo fato de ter poder ou bem material. 

O poder é uma ilusão que faz pensar que um ser humano sempre terá mais que o outro. Mais direitos, mais regalias, merece mais respeito, enfim... Isso tudo impede que todos dialoguem e cheguem à um senso comum de respeito igualitário. Afinal, morremos aprendendo. Enquanto houver essa linha de pensamento a espécie sempre vai ser subdividida entre o opressor e o rebelde. Devemos pensar nisso pessoalmente, cada um de nós, de maneira particular: como agimos em nosso microambiente? Tudo para que os valores a serem passados não sejam imperialistas, baseados em poder ou classe, mas sim, em respeito e humildade. Assim, esse respeito será passado adiante pelos bons ouvidos e pela valorização do trabalho e das atitudes, do esforço do próximo e não "na marra", por atitudes autoritárias e ditadoras. Isso só subdivide e gera mais problemas.

Todos somos importantes e devemos ser ouvidos. Por isso, enquanto o pai agir errado, o filho vai chorar.

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