26 de março de 2013

A depressão na sociedade moderna



Você só se dá conta que está depressivo quando percebe o mundo de uma maneira diferente. Quando um ser está em seu estágio normal de humor ou em plena felicidade, existem duas possibilidades: ou ele está conformado com sua situação ou realmente algo de muito bom está acontecendo em sua vida.

A depressão é uma espécie de sentido que te diz o que não está bom em sua vida. Ela não é uma simples tristeza, é um aviso natural de que falta algo para seguir em frente. Normalmente, é a falta de tempo para ser você mesmo ou para se divertir, que se dá graças ao modelo social no qual vivemos.
                                                                                     
A natureza do ser humano é orgânica, pensante, mas a correria do dia a dia e as contas a pagar acaba deixando-o maquinário e extremamente automático. Entretanto, cedo ou tarde nosso corpo acaba sentindo falta destes estímulos e, então, a depressão chega como estado, afim de alertar o que está faltando para o indivíduo sentir-se completo.

Como muitas vezes somos forçados a seguir um modelo único de vida, ficamos desapontados e, aquilo que era para ser algo natural e cotidiano, passa a ser interpretado como um sonho bom, uma espécie de utopia dentro de nós, que jamais poderemos alcançar. Assim, quando entramos em estado profundo de depressão, nossa tendência é rejeitar tais desejos, não tendo mais vontade de sair e se divertir, de ler um livro, fazer sexo e, em casos mais graves, até mesmo de viver. Mas como isso acontece?


Inversão de valores: o consumismo domina a mente humana

O super estímulo em relação ao consumismo faz com que os seres humanos se afastem uns dos outros. O que acontece é uma inversão de valores mostrada pela mídia onde, aquele que possui muitos bens é, de fato, feliz. Sendo assim, quando o indivíduo se sente carente, ele busca comprar coisas e adquirir bens que os satisfaçam, mas o que ocorre é que esta falta é preenchida somente no momento da aquisição ou pouco tempo depois. A depressão não é curada, apenas camuflada, por esta razão, a felicidade se torna apenas uma máscara temporária.

Esta inversão de valores se deu ao superaquecimento do capitalismo. O crescimento desenfreado das indústrias fez (e continua fazendo) com que o sistema acabasse tendo um comportamento típico de sedução. O capitalismo precisa vender que é bom e insubstituível, para que nós mesmos continuemos a sustentá-lo, caso contrário, ele não sobreviverá.

Em contrapartida, isso acabou prendendo a humanidade dentro de um mundo mais frio e unicamente materialista, fazendo com que a verdadeira felicidade ficasse escondida por trás do véu contemporâneo.


Menos tempo, menos reflexão
                                   
Um dos resultados da criação deste organismo chamado “capitalismo” é a escassez de tempo. A falta de momentos livres em nosso dia se dá graças à grande carga horária exigida do ser humano para a alimentação do próprio sistema. Esta ausência de tempo livre nos torna verdadeiras “máquinas”, programadas apenas para produzir, sem tempo para pensar em qualquer outra coisa.

O mais interessante é que as novas gerações simplesmente nascem dentro deste mecanismo. As pessoas acabam nascendo prontas, programadas para interpretar que este é o modelo natural de sobrevivência delas e, por este motivo, pensam cada vez menos. Podemos dizer que a escassez de tempo derivada do capitalismo é um produto que desencadeia outros fatores tendenciosos à alimentação do sistema, como a falta de perspectiva em relação a uma sociedade mais humanitária, o abandono do ser e, consequentemente, a depressão, já que o indivíduo se afasta cada vez mais de sua essência natural.

O abandono do ser é o que torna o homem mais frio. É isso que o faz deixar de pensar sobre os problemas e acabar buscando solução no materialismo, fazendo-o tornar-se um ser cada vez mais vazio de pensamentos e, logicamente, mais depressivo. É difícil você se dar conta disso, pois está no meio de um ciclo dominante e que, embora tenha sido criado pelo homem, já ganhou vida própria, pois foi encravado em nossa cultura.

A mídia, ao mesmo tempo em que é uma matriz informativa, é um veículo deste modelo social e o sustenta dia após dia, de maneira natural e envolvente. Nela, a super valorização do "ter" é divulgada para que nós mesmos (seus telespectadores) o compremos.


Sendo assim:

Capitalismo = Escassez de tempo = Nos torna seres maquinários
Máquinas são ausentes de reflexão = Seres sem perspectivas
Abandono da essência orgânica e pensante = Infelicidade, depressão.
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O "ser" foi substituído pelo “ter”.



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