25 de fevereiro de 2012

A visão do ser caracteriza sua Espiritualidade

Vimos que cada universo enxerga determinada realidade de maneira diferente. A verdade sofre influências quando passa pelo filtro de percepção de cada indivíduo, fazendo com que seja descrita de acordo com seu sistema de informações, valores e também de seu organismo. O ponto de vista de um ser nada mais é que seu conjunto de informações particulares, sua opinião formada de acordo com as experiências vividas, sobre algo existente. É ele que dará a nuance específica de seu eu em uma realidade específica. Sendo assim, ao estudar as diferentes consciências e mecanismos de visualização, é possível descobrir muito sobre a personalidade, a constituição e o funcionamento mental de cada ser, já que o que muda não é a realidade e sim, e sim a maneira de se vê-la. A visão seria a parte orgânica de interpretação do universo. A parte mecânica da consciência que observa. Por esta razão, a maneira com que cada sistema óptico trabalha também está ligada às características psíquicas e emocionais do ser.

De maneira mais simples: são encontrados traços da personalidade e do organismo de um indivíduo na interpretação que ele faz em relação a uma realidade. E, certamente, se o modo de visualização do espaço caracteriza a mentalidade e a composição física do ser, também caracteriza sua espiritualidade.

Tive essas conclusões ao observar o comportamento dos gatos. Diferente da maioria dos animais domésticos, o gato possui temperamento independente, preferindo estar mais isolado de outros animais, bem como de muito barulho ou confusão. Comecei então a penetrar no universo felino, como o gato via e percebia tudo ao seu redor; a começar por sua linguagem corporal. Os gatos possuem movimentos rápidos e precisos – como quando sempre conseguem cair em pé – o que caracteriza astúcia ao lidar com situações inusitadas ou de perigo. Por isso muitos dizem que são mais “inteligentes” que a maioria dos animais domésticos. Depois, analisei o modo com que se comunicavam. Já perceberam que além do miado e dos movimentos corporais, o gato possui várias outras maneiras de transmitir seus pensamentos, desejos e sentimentos? Os ronronares, os bufos e os seus famosos gritos. Entretanto, preferem uma comunicação mais silenciosa ao invés de ficarem miando por aí. Isso demonstra que estes animais possuem atitude menos impulsiva e mais analítica. Talvez seja este o motivo pelo qual pareçam mais “frios”. Então, quando associei todas essas características ao tipo de visão dos bichanos, percebi que realmente seu comportamento estava ligado ao modo com que o mundo era visto por eles. Os gatos, assim como qualquer ser vivente, age e interpreta as coisas, de acordo com sua consciência e sua visão, sendo que a visão é o instrumento físico de sua consciência.

O jeito que um gato vê as coisas é bem diferente do ser humano. Sua visão detecta muitas coisas que nossos olhos não conseguem captar como por exemplo, movimentos sutis e o calor dos objetos. Vale ressaltar a grande capacidade que têm para enxergar em ambientes de baixíssima luminosidade. Os olhos dos gatos possuem uma membrana dentro do globo ocular que reestimula a luz sobre a retina, quando é refletida em sua cavidade. A luz é absorvida e os olhos passam a agir como um farol, aprimorando a visão noturna. De fato, o que está oculto as nossas vistas, está claro a visão felina. Talvez seja por isto que consideramos os gatos seres “misteriosos”, já que eles vêem o que nos é mistério.

Analisando o comportamento dos gatos, foi possível perceber que o modo com que um ser vê o mundo caracteriza sua espiritualidade. Neste caso, a personalidade de um indivíduo é o subsídio para conhecermos seu universo. Ela é a nuance que sua consciência proporciona à realidade. Acredito que este esquema pode ser aplicado para se analisar qualquer outro ser vivo. Nós humanos, por exemplo, somos seres extremamente emotivos e curiosos. Posso dizer que uma parte se sente atraída e a outra possui certo receio do desconhecido. Este comportamento está intimamente ligado ao modo como vemos o mundo.

A cor da luz é RGB. Em contato com as superfícies, ela se transforma em CMYK (ciano, magenta, amarelo e preto). Nós enxergamos em CMYK, por isto que sem a luz não enxergamos. Para que nossos olhos possam ver algo, a luz precisa entrar em contato com alguma superfície e então, revelar o objeto ou a substância. Se tudo o que o homem enxerga ao seu redor é graças a luz, tudo o que está claro para ele, o traz segurança. Aquilo que ele não consegue ver ou provar pode atormentar seu senso de conhecimento ou lhe instigar a encontrar o que ainda não foi descoberto. A ausência de luz representa o desconhecido, aquilo que não se pode ver. Isto explica porque muita gente tem medo do escuro.

Um outro exemplo é o cão, que enxerga preto e branco e é profundamente ligado ao homem. Seu universo precisa das cores que caracterizam a emoção humana; possui grande necessidade de amor, carinho e companhia. Neste diagrama energético-comportamental, o homem poderia aprender muito com os gatos e os cães, serem seus protetores e companheiros.

Tudo está ligado na natureza através de leis que nós, enquanto humanos, não conseguimos comprovar. Se bem que eu acredito que comprovar seja o menos necessário... O mais importante mesmo seria interpretá-las. Eu poderia dar vários outros exemplos, mas não tenho conhecimento científico sobre a anatomia das tantas outras espécies existentes neste mundo. Até porque, além de um estudo biológico, isso exigiria uma grande pesquisa psíquica e físico-energética. Contudo, através de poucas observações, é possível perceber sim, que o corpo é um instrumento que está adequado a qualidade mental do espírito e que ambos o fazem experimentar uma parte específica da realidade.

Analisando as ações de um ser vivo, é possível saber quem ele é e como vê o universo. Isto porque, sua interpretação da realidade estará ligada ao modo com que vê o espaço. Nossa visão caracteriza nossa espiritualidade.

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