10 de junho de 2011

Perda da Identidade, Depuração da Alma

A imagem que os outros têm a seu respeito é um esteriótipo que você mesmo molda à elas. O conjunto de características, gostos, preferências e gírias que cada um possui nada mais é que a identidade que se idealiza ter e que tentamos desenvolver com o passar dos dias de nossas vidas. O indivíduo escolhe as peças do quebra cabeça que mais lhe agrada, montando-o e criando a imagem desejada. Esta imagem é o conjunto, o produto final, ou seja, aquilo que as outras pessoas visualizam e aceitam. Para ser aceito pelas massas ou entendido pela maioria terrestre, o ser precisa de uma identidade, um personagem bem definido; por esta razão, aquele que procura se definir, nada mais quer do que ser aceito.

Quanto mais o ser se importa com o conceito que os outros terão sobre ele, mais ele precisa de uma imagem que o configure. Afinal, sem ela, ele não pode ser “compreendido” pela sociedade ou grupo em que vive. O indivíduo que está totalmente seguro dele mesmo não precisa que outras pessoas digam como ele é visto, logo, a imagem deixa de ser necessária. Quanto mais ele se conhece e está ciente de sua existência, menos precisa se reafirmar para o próximo e mais seguro se torna. “Seguro”, não no sentido de saber QUEM é, mas sim, PARA QUÊ existe.

A segurança através da imagem é muito confundida com a plena consciência de existir. A auto-estima não pode se basear na segurança da imagem, mas sim no conhecimento interior, como parte de tudo, porque um dia, a forma exterior também desaparecerá. E então, quem seria o ser sem uma imagem definida? Quanto mais a consciência evolui, mais o ser tem a certeza do porquê de sua existência. Por isto acredito que a perda da identidade faz parte do processo de depuração do espírito. Quanto mais estamos seguros de nossa existência, menos precisamos nos reafirmar para o outro.

Entretanto, não se importar com a identidade no mundo em que vivemos pode trazer uma série de contratempos, já que, afinal, ainda estamos encarnados (e é este o desafio, por ser um processo muito complexo no qual a consciência deve estar sempre aplicada). Como disse anteriormente, o ser humano compreende por imagens, já que é um ser visual e palpável. Entende conceitos formados, estilos e símbolos. Quando um indivíduo começa a se desprender destas coisas, tipicamente terrenas, passa a ser incompreendido, justamente por não ter mais uma representação fixa. Ele perde a linguagem que faria os outros "lerem" a seu respeito. É normal, então, que ele comece a se sentir solitário e “abandonado” em uma multidão de estranhos, já que os outros não vêem nele uma personificação fácil de se compreender.

Aqueles que se encontram em uma fase como esta, se sentem perdidos, já que os demais indivíduos estão habituados a outro tipo de linguagem. Neste momento, muitas destas pessoas começam a tentar se enquadrar novamente ao grupo do qual pertenciam, procurando agir da forma como agiam, definir um novo estilo, utilizar termos e frequentar lugares específicos, na esperança de serem aceitos novamente, de retomarem a identidade e serem reintegrados na sociedade. Entretanto, agir desta maneira estimularia um grande desconforto, pois o indivíduo estaria fazendo coisas somente por uma estranha obrigação de simplesmente estar envolvido, não por sua verdadeira vontade. Algo como uma necessidade de estar incluso, responsável por o pressionar. Partir para este caminho só lhe traria mais tristezas, pois a alma estaria pedindo coisas além do superficial, além das meras "gravuras", e o que se estaría dando seria o oposto.

Através disso, é possível concluir que o caminho da evolução é realmente longo e árduo. Somente aqueles que estão totalmente preparados, seguem em frente sem olhar para trás, sem retornar ao nivel inferior. Por esta razão, digo à todos aqueles que se sentem sozinhos ou que não se vêem enquadrados aos demais, mesmo tendo um grande amor à humanidade: isto é sinal que o seu patamar de evolução já não está mais se apatdando à existência na Terra e em breve, podereis experimentar outras formas de existência. Contudo, isto só será possível tendo plena certeza de que nunca estaremos sós (embora muitas vezes nos sentimos). É preciso seguir em frente com perseverança, apesar das dificuldades, tendo a ciência de que sempre teremos mentores nos guiando e, logicamente, a Deus. É a fé que irá mostrar se o espírito está pronto ou não para lidar com outras dimensões.

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