21 de dezembro de 2009

Paganini...



...Não se escuta, se sente.


Niccolo Paganini. Violinista italiano, nascido de uma família humilde, desde pequeno quieto, observador. O garoto era aplicado, inteligentíssimo e fascinado pela música, já que era o que melhor substituía sua solidão. Seu pai, Antonio Paganini, era um trabalhador muito atarefado e também demasiado severo com relação ao dom musical do garoto. Aos oito anos de idade, Paganini compôs sua primeira sonata, escrevendo a partir de então, a linha do seu teatral destino. Na adolescência, o rapaz já viajava com seu pai por toda a Europa, deixando uma marca profunda a todos aqueles que assistiam a seus espetáculos.


Paganini nunca foi belo. Talvez por isso, via a beleza do amor diferente da maioria de nós. Castil-Blaze, no ano de 1831 o descrevia com um metro e sessenta e cinco de altura, construído em linhas longas, sinuosas, uma face pálida longa com linhas fortes, um nariz pontiagudo, e olho de águia, cabelo ondulado fluindo aos seus ombros e escondendo um pescoço extremamente magro. Seu rosto longo e pálido, lábios finos e um sorriso sarcástico, moldavam sua expressão penetrante. Seus olhos eram escuros como a noite, mas profundos e indecifráveis como altas labaredas. Através da descrição supersticiosa de sua aparência que o gênio transformava seus espetáculos. Niccolo usou disto, para moldar suas apresentações, aquilo que ele poderia interpretar para o mundo.


Apresentando-se com vestes negras, em um cenário lúgubre e sempre com pouca luz, ele criava a atmosfera adequada, despertando o medo que temos do que não é belo - pois afinal, levamos sempre em consideração a aparência. Medo? Mas as canções eram feitas de amor... Seria esse medo, o medo de amar? Olhamos desta maneira, da mesma forma como olhamos para o amor?





Entretanto, Paganini se apresentava daquela maneira, também pelo fato de que não queria que a beleza de seu espetáculo fosse vista, mas sim, sentida. Era justamente a profundidade da arte que ele trazia ao palco.



E assim, toda sua técnica e talento, arrancavam sons mágicos do violino e sua aura etérea prende nossa atenção até hoje, pelo seu modo teatral de nos forçar a interpretar a profundidade da vida, do amor. Seu rosto esquálido contorcia-se, seus cabelos longos e negros agitavam-se e o arco de seu violino fazia movimentos inalcançáveis. Há quem diga que teria feito um pacto com o demônio para poder tocar daquela maneira ou para ter a vida eterna... que as cordas de seu violino foram feitas com os próprios fios de cabelos do diabo.




E acredito que, assim como magos fazem magia com seus átames, alguns artistas fazem mágica com seus instrumentos, máquinas, pincéis. E através de todo este conjunto de talento, arte e magia, ele se tornou eterno.


Paganini representava como vemos o amor.



Texto dedicado à minha falecida tia Cecília Cortês, grande violinista,
que sempre me deixa saudades.

1 comentários:

CELSO MATHIAS disse...

Mogi é pequena para vc, menina!!
De que planeta vc é?
Talvez de um planeta chamado " ESPETACULAR".QUE TEXTO!!
Vc fala sobre como as pessoas estão FISSURADAS no conceito do belo aparente, esquecendo que o belo só aparece quando vem puro da alma. Essa é e sempre foi a minha preocupação da minha arte.VERDADE!!Esse artista brilhante é responsavel por mostrar isso, VERDADE!! Quanto ele tinha a dizer?? Quanto a sua alma tinha a gritar pelo seu instrumento de arte?? Um artista do Romantismo.
Me identifico muito com ele no sentido dos PARADOXOS.Uma arte linda e aclamada e um ser sozinho e introspecto.

Parabéns!!!
BJS