8 de julho de 2009

Realidade Nua e Crua.




Hoje assisti novamente o filme “Quanto vale ou é por Quilo” de Sérgio Bianchi, depois de seis anos. E é assim: A realidade como ela é e ponto. O filme é cru em alguns termos, mas como deve ser na soberania capitalista. Bolas, você acha que realmente somos iguais? Afinal, "O que vale é ter liberdade para consumir, essa é a verdadeira funcionalidade da democracia" – citação ditada pelo ator Lázaro Ramos em cena do filme.

Há quem diga que cineastas, escritores ou até alguns poetas brasileiros querem mais é chocar e vender através de conceitos sensacionalistas, mas creio que isto também já está se tornando um tipo de observação banal, não é mesmo? Chega de rótulos que tanto restringem a visão dos fatos, das coisas como são; à não ser que se tenha o desejo de continuar deste modo... Enfim, partindo deste ponto, creio que Bianchi demonstra que somente com este tipo de linguagem “agressiva” é possível compreender sobre a realidade de disparidades em que vivemos. Certas sensações ou constrangimentos são necessários para tirar algumas pessoas do mundo encantado em que vivem.

Bianchi faz observações muito importantes e defende que para termos uma visão crítica do que acontece aqui e agora é imprescindível levar o passado em conta. O filme deixa claro que nosso passado escravista ainda existe e nossa democracia atual não sofreu muitas diferenças desde a época colonial. Será que evoluímos mesmo ou está tudo estagnado? Haviam desigualdades econômicas, sociais e de direitos no país. E hoje? O incessante elo parece que não irá se desfazer tão cedo.

Entre fotos antigas de capitães do mato e famílias coloniais, e imagens atuais, vemos apenas a diferença do tempo. Igualam-se a violência, o sistema do mais forte, a noção de que pessoas podiam ser propriedade de outras e a lógica de lucro escravista no Brasil. Porque aqui, a prisão pode ser economicamente rentável e geradora de emprego, a denúncia é um negócio dentro de acordos em seqüestros e a miséria forma ONGs que desenvolvem a solidariedade como empresa. Nesta “democracia” essas organizações da sociedade civil ganha em prol de demandas não atendidas pelo Estado, ou seja, funcionando como empresa, incorporando discursos, verbas, reputação e, enfim, o lucro. Responsabilidade social é marketing dentro da nova indústria que gerencia a miséria e os miseráveis. Mas talvez se a estrutura fosse outra, não seria necessário recorrer à essas alternativas para resolver responsabilidades do governo.

É sim, medo, porque se pensa no conforto; mudar pra quê? Porque até a crítica é proveniente da desgraça e uma solução é a chave. Não vou dar minha sugestão justamente por isso. Além do mais, minha opinião já deve estar clara. O filme de Bianchi termina com dois finais, duas opções, pois é isso que deve acontecer: novos desfechos para a nossa História. Para a estrutura do nosso país.




3 comentários:

CELSO MATHIAS disse...

O rato corre do gato que corre do cachorro...A estrutura social é essa!

A miséria humana sempre será a fortuna de muitos.Não vejo jeito nisso. A publicidade, desculpe, é ao meu ver um dos maiores "cancêres" da humanidade.

Quero muito assistir esse filme tbm há anos.

Em relação ao FOTOLOG, me impuseram tirar todos os quadros com nús e eu não aceitem e DETONARAM minha conta. Infelizmente não sabem diferenciar nús artístico de pornografia.

Abração!!

Heloisa Ikeda disse...

É... realmente você não conseguiu deixar de dar a sua opinião nesse texto rs. Mas como eu disse isso é quase impossível de se fazer ^^

E eu fiquei com vontade de assistir esse filme. Pela foto parecia do tipo de cidade de deus, ou tropa de elite, mas pelo que eu li é um tanto quando diferente a abordagem rs

Esse post tbm me lembrou do abaixo assinado contra o cadeião em mogi. Eu assinei já na umc heuehuehu

bjs

ALEX MAGNO-ENJOY ART disse...

Oi Roberta, putz fiquei muito curioso para ver esse filme!!Seu texto é demais...Adoro seu estilo!!!Ah!!tentei deixar um comentário no seu outro espaço, adorei suas criações, mas acho que não consegui!!Desculpe, coisa de velho que odeia máquinas,e brigaddão por sua visita lá no meu barraco!!bjs!!!!!