1 de maio de 2009

Ilha das Flores, de Jorge Furtado - 1989


O dia do trabalho é propício para uma resenha sobre o curta-metragem que retrata a problemática social do consumo pela comercialização. Em um pouco mais de 10 minutos. Através de recursos, o vídeo estampa a desigualdade humana em nossas mentes, de forma impactante. A linguagem é básica, lógica, mas eficaz.

Um único fruto é o ponto inicial: o tomate. Algo que deveria ser um simples alimento para que todos pudessem desfrutar, irá se tornar o objeto para a compreensão do ciclo social e capital no qual vivemos. A idéia é desvendar todo o procedimento que há através da comercialização junto à sociedade, trazendo com isso, o processo de geração de riquezas, mas conseqüentemente, de desigualdade humana. Através de uma linguagem rápida e simples se torna possível compreender que o capitalismo acumula bens provenientes do lucro, partindo de um ponto que parece, a princípio, muito banal.

Jorge Furtado soube utilizar recursos simples, como técnicas básicas de som e imagens já prontas, ou seja, que não precisaram ser filmadas. O importante aqui é a idéia, não os efeitos que se tem. A obra consegue ser completa sem todos aqueles truques (até porque na época eles não existiam e a verba não permitia). Em muitos casos, se tem muita produção e pouco fundamento. Se ainda não assistiu, assista; vai ser simples enxergar tudo o que a humanidade "consome".

O mais interessante do curta é o momento final. Durante todo o filme, escuta-se efeitos sonoros enquanto está se descrevendo o ciclo capital. No instante em que a verdade “sêca” aparece e que podemos ver todo uma causa que nos torna mesquinhos, a trilha sonora é interrompida; então, o que está sendo dito causa impacto, tem maior ênfase e nos choca.

É importante que a obra chame atenção, afinal, seu intuito é alertar. Alertar com relação aos acontecimentos vindos do sistema capitalista, de forma simples; e fazer-nos refletir sobre esse processo estabelecido, que é tão comum no dia-a-dia. Diante de todo esse ciclo, o filme tem o intuito de mostrar que o humanismo é necessário sobre esta grande mecânica da sociedade. E que acabamos por aceitar, pois ela mesma nos consome.

0 comentários: