5 de abril de 2009

Vendando opiniões, Formando sociedades

A revista Veja é pioneira nestes assuntos. Li uma reportagem publicada em fevereiro que me deixou meio confusa. A matéria é sobre a juventude atual que toma o posto dos pais nas decisões dentro de casa (como a compra de eletroeletrônicos, por exemplo) e agem como adultos. De acordo com o texto, os jovens da nossa sociedade têm muito dinheiro, caminham sozinhos, são super tecnológicos e mal informados. Porém, tudo isso é retratado de uma bela forma nas páginas da revista. Estes fatos são mencionados com luxo, como se fosse bonito, moderno e legal, ser consumista e não ter senso crítico. Nas fotos, os adolescentes aparecem presos em redes feitas de fios e cabos, porém super felizes, esbanjando riqueza com suas roupas de marca.

Fiquei pensando no porquê desta estrutura e, mais adiante, encontrei outro ponto que me chamou atenção: não se distingue “juventude” de “adolescência” em todo o texto, mas utiliza-se dos dois termos. Isto não deveria ocorrer pois são entrevistados apenas os adolescentes, de quatorze até os dezessete anos. Será que os jovens não-adolescentes também pensam desta forma? Afinal, Não se lê nenhuma afirmação de alguém que seja realmente maior de 18 anos; talvez porque é o momento em que, normalmente, já se começa a formar opinião própria? Adolescentes manipulados são mais fáceis de controlar...

Um adolescente que ainda está se formando é tratado, nesta reportagem, como um adulto sem responsabilidades. Além de incentivá-los ao consumismo, faz com que sintam-se no direito de tomar um posto do qual ainda não estão preparados para lidar. Mas além de pensar que a matéria faz mal pro adolescente, penso que faz mal para os leitores conscientes também; as informações não coincidem com o que ocorre com a grande parte dos jovens do nosso país e percebemos que estamos sendo enganados de forma absurda.

Um exemplo disso é quando cita-se sobre mesadas: segundo a reportagem, aos 13 anos, os adolescentes recebem de 100 a 300 reais; aos 14 anos o valor vai de 150 a 400 reais, aos 15 anos de 200 a 500 reais; aos 16 anos de 250 a 600 reais e aos 17 anos de 300 a 700 reais. Quando a matéria afirma que os entrevistados recebem este valor, entendemos que ela se refere à maioria dos adolescentes brasileiros, pois coloca o público entrevistado como representante do jovem em nosso país. E sabemos que não; a realidade aqui é diferente. Fica claro que os adolescentes entrevistados foram apenas os de Classe A. Fala-se de 90% dos adolescentes como se fosse noventa por cento dos adolescentes de todo o país; mas na verdade está se tratando apenas da classe de elite. O fato é que a verdadeira maioria acaba ficando invisível.

Concluindo: é uma realidade inventada para que se forme um pensamento futuro. Onde vamos parar com líderes assim?


Quem quiser ler, tá aí: Revista Veja, edição 2100 - ano 42, número 7, de 18 de fevereiro de 2009

8 comentários:

CELSO MATHIAS disse...

Oi Roberta.
Aquarela e óleo só se misturam na pintura digital que é o quadro KKKKKK fora isso não. Que bom que esta bem. Vou ler o texto com mais calma amanhã.
BJS

Julio de Carvalho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Julio de Carvalho disse...

No minimo chega ser ridiculo este tipo de propaganda de Vida Elitista!
Ou seja: pra ver as coisas como são, ainda temos de sair as ruas e olhar para oque todos ignoram, e que muitos fingem não ver.
Somos um país de pobres!

CELSO MATHIAS disse...

Então, isso é claramente o que a publicidade faz para vender mais os produtos de seus clientes. Formam opinião de que precisamos ter, comprar, comprar e comprar. Consumir é a palavra de ordem. É claro que não se trata do "povão" mas esmaga a auto-estima desse com matérias desse nível, por outro lado a VEJA não é acessível ao grande público POBRE( acredito eu) que não tem cultura e grana para comprá-la.
Mas que forma opinião sim e essa é horrível, pois além de transmitir uma realidade totalmente surrealista, precisa imperar o tal do capitalismo selvagem..." SE VC TIVER ISSO OU AQUILO VC É O CARA, SENÃO É UM MERDA". Lembra da prpaganda do carro vermelho. A câmera passeava no coração do homem, a família e amigos estavam apertadinhos em um canto e lá no espação enorme e confortável O CARRO. Ou aquela propaganda tbm de carro onde o pai ao deixar o filho na escola e ãon ter um carro último modelo, provoca uma vergonha no filho diante dos amigos...AGORA IMAGINA SÓ NO MEU CASO, QUANDO EU TINHA 11 anos estudando no Colégio Martins( caro pra cacete) e minha mãe me deixando no meio da galera na porta da escola de FUSSSSCA ( FUSCÃO)KKKKKKKKKKKKK E VERMELHO! KKKKKKKKKK eu quase levava a britadeira pra abrir um buraco no chão KKKKKKK e me esconder! E olha que nessa época que nem tinha computador, celular, TV de plasma e o cacete a 4.

ODEIO SHOPPING CENTER E TV POR ISSO!!!
Entre em uma dessas operadoras de celular( tem q ser uma loja grande) e sente em um canto e fique reparando na obssessão das pessoas...os olhinhos faíscam pelos modelos de celulares!!!

È LOUCOOOOOO

Sua matéria deveria estar em cartas do leitor...mande!

VC É A DIFERENÇA!!

BJS E PARABÉNS

André Aguiar disse...

Que a mídia sempre manipulou informações não é novidade pra ninguém, mas ainda insistimos em fechar os olhos, talvez por que não queremos ver a realidade que geralmente esta a menos de 10 minutos do centro de qualquer grande capital brasileira , quando no texto esquecem propositalmente, dizendo que todos os jovens brasileiros ganham mesadas, e de 600 reais, esquecem também de mencionar que essa mesma quantia é o que a grande e esmagadora maioria dos trabalhadores brasileiros ganham, estes mesmos que acordam 6 da manhã e saem 4 da tarde, “há esqueci-me de dizer nos descontos” agora eu queria saber como que um trabalhador de classe baixa, que ganha 600 reais faz pra dar uma mesada pro seu filho. Irônico não

Julio de Carvalho disse...

[b]Sim, não estava, mas melhorou!
Bastante.
Estou mais em PAZ.
E sim com letras maiusculas. Acho que foi a idade que pesou afinal o tiozão aqui fez 25 dia de abril, então tá na hora de dar um UP na minha vida!
Vou parar com tudo, até a faculdade e voltar renovado.
Vai ser melhor.
Fique bem.
Te gosto muito já.
Beijo!

Simône Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Simône Silva disse...

Oi Roberta, boa pergunta, mas ela continuará sem resposta correta sempre. Pois só entrevistam filhinhos de papai, serpa que foram nas favelas? Bairros distantes dos grandes centros? Não eles entrevistam somente filhos de médicos, Juizes, Advogados, os que tem como pagar a seus filhos para ficarem em casa, pensando com quem vão aprontar amanhã, o que vai fazer de ruim ou se vão para aula, pois não precisam trabalhar, pq os pais lhe garantem a grana para gastar no fim de semana.
Só que estes jovens na maioria das vezes não contribuem para o crescimento do País.