20 de janeiro de 2008

Mate-me, pois já estou morto. Matarem-me para o meu bem.

Vou postar um conto que fiz há algum tempo.

Eu gostava muito de fazer contos espíritas, de surrealismo, terror e suspense. Hoje eu já tenho mais o hábito de elaborar críticas (talvez por conta da faculdade), e de vez enquando escrever uma poesia. Mas enfim, quem quiser, pode ler. É um pouco melancólico...


É ele e apenas ele na sala.
Fumando o filtro do cigarro, o rapaz queima o dedo...e se vê sozinho.
Já não tinha mais planos, de tanto que vivia na mesmisse, de tanto que se acostumara com as coisas que lhe aconteciam. Entregava-se para sua própria solidão, ficava sempre ansioso com o banal e se apegava àquela coisa material de sempre, indo cada vez mais para o fundo do poço.
Ele sempre tinha os mesmos eventos para ir, as mesmas coisas à fazer, e não conseguia mais se ver sem aquilo. Achava que eram as amizades, mas não. Pensava que eram as coisas que estavam lhe cansando; também não. Supôs que poderia ser os lugares que estavam se tornando medíocres, mas estava enganado.
O que o estava deixando naquele estado de espírito monótono, era ele mesmo, que se entregava completamente aos espíritos insanos e ao pensamento comum. Seu humor era sempre o tédio. Tédio interminável.

A entrega ao material, o fazia aparentemente feliz. Dono de um ego fortíssimo, ele via que aquilo lhe trazia sempre mais atenção (mesmo que somente por interesse). Inconscientemente, ele se entregava...e não conseguia se conter.

Depois de tudo, se via ali, sem ninguém mais uma vez.
E perdido em meio ao seu próprio cotidiano, tudo o que fazia era automático; tudo se tornara hábito, e nada mais fazia sentido ou tinha importância. Sua alma estava neutra, até mesmo à sentimentos.

Sem mesmo perceber, o homem havia criado um ser deprimido dentro dele mesmo. E continuava querendo manter a aparência de que não precisava de ninguém à sua volta. Insistia naquilo, talvez para não admitir a solidão em que vivia.

O rapaz acreditava ser melhor do que qualquer um, simplesmente por pura pretensão e para satisfazer seu ego, e sempre que precisava de um favor, ele conseguia; afinal, todos sabiam seu nome. O “prêmio” para quem o havia ajudado,era simplesmente sua valiosíssima (e vazia) amizade. Deixava-se de lado qualquer outro tipo de valor humano e carinho.

Numa das últimas noites em que não agüentava mais se deparar com a realidade vinda depois do teatro que ele mesmo fazia, se entrega ao próprio charme, novamente. Dá-se à própria mentira, para voltar para casa sozinho, com um enorme espaço dentro de si mesmo.

Sorriso enorme. Cara de moleque, porém, sua barba por fazer. Mesmo sem que ele queira, a aparência é fundamental. Belas mulheres...Fundamental! Pessoas importantes...Fundamentais! Quem olhou através da sua alma, soube de suas incertezas e angústias.
O rapaz já não era um menino. Mas quando se encontrava sozinho e diante da realidade, se agoniava. Nem chorar mais ele conseguia. Como um homem, nunca compreendia que o amadurecimento não era nada daquilo que pensava; ele vem da alma!

Quando nos decepcionamos, vemos que muitos momentos foram superficiais: damos amor para apenas ter amor em troca. Na maioria das vezes, somos rejeitados, sendo muito mais penoso que qualquer outra coisa.
Provavelmente o homem solitário se apaixonou loucamente, e se sentiu “fraco”, rendido à algo mais forte que ele, que seu próprio ego. Ele não estava conseguindo controlar, pela primeira vez, os seus pensamentos, e não conseguia colocar uma máscara para ocultar o que realmente estava sentindo.
Virou escravo dos seus pensamentos e de suas atitudes, querendo se controlar a todo instante!

Ele então acorda, e resolve se distrair, desviar-se de pensamentos; dominar o adágio nessas horas é fundamental. Sai com os amigos, bebe uma cerveja, mas acorda com uma sensação parecida com a anterior.
O material é assim: o controle, o ego, a insatisfação, a máscara da realidade.
A vida é muito simples, o ser humano é que a complica.
Ela passa...e bem rapidamente.

Quando o homem deita, ele sonha com o amor, pela primeira vez de forma singela.Sonha com a sinceridade e com a igualdade de ser e estar no mesmo patamar que os outros. Para ele, poderia ser um pesadelo, mas por um momento ele aceita o que está passando diante de si. Sente que pode falar abertamente sobre o que está dentro do seu coração, do que está vindo de sua alma. E não importa o que virá do próximo.
Se todos tivessem a mesma atitude, o mundo seria diferente, e a evolução espiritual poderia ser bem mais simples...Então, porque não começar?
Alguém o chamava. Ele então, acordou novamente.
Não sentia mais nada.

A primeira coisa que viu, foi a mulher que havia se apaixonado; logo depois, seus amigos, sua mãe e finalmente, seu pai.E como ele se sentia bem agora!
Seu corpo estava inerte. Tão imóvel quanto como quando ele ainda tinha vida. Nunca mais ele despertou, pois todas estas pessoas fizeram ele ver o sentido de sua vida...Elas mesmas! E agora, ele estava em paz consigo mesmo.


Por Roberta Cortez

1 comentários:

Gabi Romeiro disse...

Oi moça! Acabei de ver seu comentário no meu blog.
Engraçada coincidência: participo da comunidade do Led Zeppelin e o dono da comunidade, que você conhece bem, rs, postou a foto das suas tatuagens todo orgulhoso.
Fucei no seu álbum, ea gora percebi que seu rosto era familiar...
Adorei o texto, bem denso.
Vou adicionar nos favoritos.
Beijos!