20 de maio de 2018

Resenha do filme: Fantastic Planet

Nos anos 70, a indústria do entretenimento possibilitava, ainda, experimentações ousadas no cinema, com temas de característica "cult", ou mesmo místicos, muito antes deste atual gnosticismo, cujo o clímax foi a ficção "Matrix". 


Após a segunda guerra mundial, Estados Unidos, França, Grã Bretanha e União Soviética governaram as diferentes regiões da Alemanha. Porém, com essa gestão, passou a haver conflitos ideológicos e de interesses entre comunistas e capitalistas. Um dos sinais desse conflito foi a construção do muro de Berlim, em 1961. Neste momento, começava a se instaurar a “Guerra Fria”, um conflito velado que crescia conforme eram feitas alianças políticas entre outras nações.  Exemplo disso foi a intervenção dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.

Quando essa situação começou a salientar e dar indícios de uma nova guerra mundial, em 1973, foi estabelecido um acordo pelo fim da Guerra do Vietnã, onde haveria de parar, também, essas intervenções armadas dos Estados Unidos sobre o país – Acordo de Paris para o Fim da Guerra e Restauração da Paz no Vietnã.

Enfim, o início dos anos 70, como podemos observar, foi marcado por vestígios de conflitos entre países e pelo desejo de paz mundial. Tudo isso retratava-se em manifestações da contracultura, onde podemos observar a desconstrução de valores políticos e o anseio por liberdade e igualdade entre pessoas e nações. Essa busca por um mundo melhor moldou a faceta da época com a filosofia da paz e do amor, sob influências psicodélicas e de evolução “espiritual”, percebidas em diversos movimentos sociais e obras artísticas.


Posso citar dois exemplos notáveis: o Codex Seraphinianus é uma enciclopédia sobre um mundo imaginário, que contém elementos desconhecidos por nossa espécie. São textos indecifráveis pelos idiomas humanos e desenhos físicos que se assemelham à nossa espécie, mas não são encontrados no planeta Terra. A obra, do artista e arquiteto italiano Luigi Serafini, foi desenvolvida entre 1976 e 1978 e inspira o desejo de evolução do homem. É essa aspiração por tornar-nos um ser melhor que nos faz querer conversar com “mundos superiores”. O Festival Woodstock, realizado em 1969, também traduz o cenário do momento: liberdade, paz e um mundo melhor retratados como próxima etapa de racionalidade da espécie humana.

Todo esse sentimento era, ainda, acompanhado de evoluções tecnológicas importantíssimas  – foi realizada a primeira ligação de um telefone móvel, além do início da missão Skylab III (proveniente da primeira estação espacial norte-americana). Vivíamos um momento de desejo de evolução inconsciente que, aliado às descobertas científicas, estimulavam a imaginação humana a produzir impressões surreais e fantásticas.


14 de maio de 2018

Minha Vida é um Espelho Mágico

A partir do momento em que me mudei, troquei de trabalho e comecei a fazer faculdade, minha vida começava a mudar novamente. Inicialmente, veio o entusiasmo, algo como um furacão que não percebemos muito. Comecei a ficar incomodada com algo, não sabia ao certo o quê, refletindo no meu emocional. Tudo ficou mais evidente quando, através disso, percebi o quão as coisas da minha vida são valiosas. Decidi agir consciente, me decidi a romper um ciclo importantíssimo em minha vida, entre outras posturas. Sabendo que este ano terminou e se iniciará outro. Para isso, semeamos isso.

Passei a meditar mais novamente e, meditando sobre isso, num determinado momento, percebi que tudo o que estava me incomodando era reflexo do passado. Sentimentos que não cabiam mais e lembranças trazendo as mesmas sensações de medo, mágoa e angústia vividas no passado. Estava querendo olhar para o futuro, refletindo o passado. Estava enxergando o passado, no presente e reproduzindo no futuro. Refletindo o passado e, por isso, não conseguindo prosseguir. Como se fosse um espelho eterno. Então, me decidir a sair desse reflexo; e aqui estou hoje. Impressionantemente, o Samhain tem exatamente o ritual do espelho negro e eu nem havia associado!

Lendo o livro do Foucault, que associa a loucura ao nosso lado escuro, mas faz parte da imperfeição puramente humana, vejo que a dualidade é, novamente, necessária; por isso a necessidade de entrar no ventre oculto para nascer em um novo presente. Ou seja, ele comprova em frente aos meus olhos a necessidade da proximidade com a loucura, já que é inerente à natureza humana. A maior loucura é justamente querer mudar isso, buscando o aperfeiçoamento, pois assim queremos negar o que somos, estamos rejeitando nossa natureza imperfeita - e entramos novamente numa ilusão. Ao mesmo tempo, vemos também o aspecto positivo - que é ela que alimenta nossos devaneios, nossos sonhos, nossas esperanças.

Quando percebi que tudo isso era a chegada do Samhain - a energia interior, escura, de recolhimento, reflexão e meditação, que evoca também a importância de se romper ciclos, entendi tudo. Chega o momento de tomar decisões, colocar fim para a chegada de outro começo. O inverno chega e traz a escuridão, o interior; percebi que minha vida é mágica, que sempre meu corpo acompanhou/acompanha os ciclos da minha vida. É muito lindo isso, pois sempre depois de uma reflexão tudo fica claro. Sempre. Parece um milagre - e, na verdade é, visualizando-o sem dogmas, por ser a realidade.

Nossa mente tem o poder de tudo. Vejo a primavera sempre começando a florescer as coisas em mim, em volta de mim, para mim; no verão, a paixão avassaladora vem, tomando conta de mim. No outono, o sentimento e a necessidade de meditação, a transição e, no inverno, a interiorização, reflexão profunda do que aconteceu, entendimento e fim de ciclos. Para um novo começo.

26 de abril de 2018

Liberdade

O que é Liberdade? Impossível definir, tamanha a grandeza. Impossível mensurar, pois ela é eternamente tudo. Quando você controla, deixa de se integrar com o fluxo do universo, o todo, limitando ou limitando-se. Está preso ao egocentrismo no sentido do foco no seu centro, deixando de olhar a totalidade.

Soltar o fluxo do espírito/pensamento permite à você mesmo e ao outro harmonizar-se; todos são livres, por isso tudo corre, tudo flui. É uma necessidade o aprendizado. O apego prende tudo, inclusive o momento, o fluxo que está acontecendo agora. Torna-se bloqueado, por isso, agonizante. Se em nossas vidas, isso se traduz pelo egocentrismo, observamos que, como efeito, adquira-se a ilusão da prepotência, por "querermos tudo" - e isso o alimenta, tornando-se algo muito difícil de desobstruir.

Isso é muito difícil para nós, tempo presente - visualizar o tudo. A liberdade é uma dessas maneiras, por isso, fundamental e inegável. Sem ela, não existe alegria e fluidez; um dos únicos caminhos. Sem isso, continua-se na mesmisse , logo, inquietação. Por ver-se apenas, tudo quer pra si, mas não consegue propiciar nada ao outro. Quando estamos nessa condição, não pensamos no outro. Vangloria-se tanto que não vê nada ao redor. O mundo gira em torno do ser (a energia fica nela parada, não renovada) e, por "ser" tão forte e poderoso, passa a querer controlar as coisas à seu redor, inclusive as pessoas. Em nosso comportamento ordinário, acha que todos dele dependem, todos devem à ele - devem procurar, devem recorrer... enfim, acabam devendo fazer algo, em seu sentido. E, se não o fazem, há algo de errado com estes, "pessoas ingratas ou invejosas". Nesse momento, surge o vitimismo, por se encontrar nessa perigosa zona de conforto. Está preso novamente, pois não vê suas falhas; é cego, egoísta, não quer/consegue ver. Por não aceitar, ambicioso, pois sempre vê-se como merecedor, mesmo não sendo.

Busque sempre andar humilde, aceitando o caminho, aprendendo, fluindo. Deixando-se levar. Lembre-se que, se eu cobrar, não estarei doando. Se eu cobrar, estou tirando. Controlando as opções e escolhas alheias por achar que elas devem me dar algo, sendo que, na verdade, o universo é fonte de tudo. Quando faço isso, estou tirando a oportunidade de alguém ser feliz, pois meu desejo é limitar, negando que esteja em totalidade, apenas para mim - estou privando-a de ver o infinito, a eternidade, por prendê-la aqui. Tem ideia do que é isso?

Ninguém merece a privação da paz. Todos queremos apenas ser felizes e a felicidade só vem através da fluidez do universo, então por quê estou tirando delas a liberdade? Estou tirando delas o livre arbítrio, ao exigir! Pense sempre: as pessoas só querem ser felizes e eu também. Então, tenho que dar felicidade à elas, não tirá-la, caso contrário, bloqueia-se a fluidez. Não há harmonia. Quero ser um veículo do amor que o universo é/transmite e deixar fluir o amor natural que já existe em nossas vidas. Plenamente feliz, em harmonia, é a totalidade, para isso, deixando que os outros tenham o mesmo. Plenamente feliz, em harmonia. A única permanência é a impermanência. E isso já deve nos trazer o conforto.

Posso dizer que a Liberdade é Sagrada.

16 de novembro de 2017

Eu sinto muito

Eu sinto muito. Até demais. Não sei se é certo ou errado, ou os dois são partes de uma coisa só. Só sei que eu sinto. Muito.
Sinto uma grande dificuldade em viver na Terra, saber lidar com os sentimentos e as pessoas. Quando a alegria vem, sinto uma necessidade de destruí-la. Será possível criar pra sempre? Acho que sim. Porque todo o “mal” só fará o bem, te faz crescer, evoluir. Sempre que me dou conta disso, volto para a paz. Estou me conhecendo. E me ouvindo.
Depois que saio desse emaranhado que eu mesma criei por necessidade, ainda que inconsciente, vejo que era tudo o que eu precisava e nem sabia. Para mudar coisas específicas que eu nem tinha me dado conta. Instinto? Lei natural da vida. Confio em mim mesma porque sei que também estou no futuro.

Estou no futuro também, parte de mim está lá, o pensamento começando a se materializar, o aqui e o agora e a dissolução se fazendo no passado. Eu sinto muito. Até demais. Não sei se é certo ou errado, ou os dois são partes de uma coisa só. Só sei que eu sinto. Muito.