
Niccolo Paganini. Violinista italiano, nascido de uma família humilde, desde pequeno quieto, observador. O garoto era aplicado, inteligentíssimo e fascinado pela música, já que era o que melhor substituía sua solidão. Seu pai, Antonio Paganini, era um trabalhador muito atarefado e também demasiado severo com relação ao dom musical do garoto. Aos oito anos de idade, Paganini compôs sua primeira sonata, escrevendo a partir de então, a linha do seu teatral destino. Na adolescência, o rapaz já viajava com seu pai por toda a Europa, deixando uma marca profunda a todos aqueles que assistiam a seus espetáculos.
Paganini nunca foi belo. Talvez por isso, via a beleza do amor diferente da maioria de nós. Castil-Blaze, no ano de 1831 o descrevia com um metro e sessenta e cinco de altura, construído em linhas longas, sinuosas, uma face pálida longa com linhas fortes, um nariz pontiagudo, e olho de águia, cabelo ondulado fluindo aos seus ombros e escondendo um pescoço extremamente magro. Seu rosto longo e pálido, lábios finos e um sorriso sarcástico, moldavam sua expressão penetrante. Seus olhos eram escuros como a noite, mas profundos e indecifráveis como altas labaredas. Através da descrição supersticiosa de sua aparência que o gênio transformava seus espetáculos. Niccolo usou disto, para moldar suas apresentações, aquilo que ele poderia interpretar para o mundo.
Apresentando-se com vestes negras, em um cenário lúgubre e sempre com pouca luz, ele criava a atmosfera adequada, despertando o medo que temos do que não é belo - pois afinal, levamos sempre em consideração a aparência. Medo? Mas as canções eram feitas de amor... Seria esse medo, o medo de amar? Olhamos desta maneira, da mesma forma como olhamos para o amor?
Texto dedicado à minha falecida tia Cecília Cortês, grande violinista,
que sempre me deixa saudades.

